Ao
caminhar pela grande São Paulo, eu que trabalho em Carapicuíba estudo em
Guarulhos e moro em Osasco logo preciso atravessar parte da região
metropolitana, percebo como ela é cortada por grandes avenidas, pontes e
viadutos, além da marginal Tietê sempre passo vejo o quanto elas estão
abarrotadas de carros com uma pessoa só dentro, eu que faço uso de transporte
coletivo esses sempre lotados e lentos, haja vista os trens da CPTM, em
péssimas condições de uso, além de caros, me faz questionar três fatos, 1º por
que as pessoas ainda permanecem nas grandes cidades? 2º Por que as pessoas
vivendo nesse caos urbano ainda querem carros, e pior vão trabalhar com ele? E por ultimo e 3º por que as políticas
públicas se dão para o investimento automobilístico?
A primeira questão se dar por uma
questão de oportunidade ainda hoje cidades como São Paulo, Guarulhos e Osasco,
entre outras claro, estão entre os maiores PIBs do Brasil, o capital está
concentrado nessas cidades e, apesar disso começar a mudar na ultima década com
os investimentos no agronegócio para o centro-norte do País¹, o fato é que
ainda essas cidade são polos de oportunidades e viver nesse conglomerado de
gente ainda é mais “libertador” do que viver no campo, as cidades ainda são um
refúgio econômico para um campo assassino, típico de sociedades capitalistas
onde o êxodo rural foi comum para o desenvolvimento do capital, porém repensar
essa locomoção de humanos é algo que, não sei se é interessante ao capital, é
cabal para diminuir as populações nessas metrópoles.
A segunda questão se pauta por uma
lógica sistêmica que todos nós sabemos por mais que alguns não admitam que a
lógica do lucro é desumanizadora quando ela faz com que os produtores comprem
aquilo que eles mesmo produziram, e pior eles sentem prazer nesse consumo além
do status social claro, comprar um carro, assim colocam os propagandistas
capitalistas que em nada se diferenciam dos propagandistas do nazismo, é ser “O
cara” o “descolado”, não estou dizendo que um automóvel não seja útil, porém em
uma cidade caótica como São Paulo ir trabalhar de carro é burrice, a desculpas
dos motoristas é que o transporte público é impraticável e que dentro de um
carro mesmo parado por horas, ele ta sozinho sem gente o apertando, então ele
prefere o conforto do carro dele ao invés do aperto de um transporte coletivo. A
mentalidade consumista é contraditória com o bem estar urbano, o estado burguês
dos ultimo 20 anos no Brasil elevou o consumo do brasileiro, o que de certa
forma não é ruim afinal é único meio de você conseguir crescer nesse sistema,
porém esse neoliberalismo tosco e desumano levou nosso país a vender tudo ao
capital estrangeiro isso quando não dá dinheiro público pra burguês nacional
comprar, mas enfim, o fato é que só se compra mais carro por uma questão
consumista que ou agente aprende ou continuaremos matando pessoas no estresse
desses trânsitos de maneira sádica.
A terceira é consequência de um
estado burguês e pior colonial, que trás em si o vicio elitista e malévolo das
oligarquias que ainda estão por aí, que leva as políticas públicas a atender os
interesses da classe dominante que no nosso caso é mais internacional do que
nacional, Mészáros diz que:
As “necessidades políticas
da classe dominante fundamental” são os interesses da burguesia como um todo,
ao passo que as necessidades econômicas da produção têm uma relação muito mais
direta com interesses dos capitalistas individuais. (MÉSZAROS,
István. A teoria da alienação em Marx. São Paulo: Boitempo.)
O estado brasileiro além de estar
desindustrializando o país está seguindo uma cartilha internacional cabal para
os interesses da burguesia internacional e, por isso, o Brasil não entra na crise
por estar consumindo e essa ilusão de progesso vai em contra partida sos trabalhadores que fazem uso do transporte coletivo nas cidades e essa matriz de transporte
brasileiro está falida² nós não temos mais condições de continuar sufocando o
transporte coletivo que já não é público por também estar nas mãos da
burguesia o que explica as altas passagens nas cidades grandes, eu o convido se
um dia estiver em São Paulo a andar de ônibus ou pegar um trem da CPTM ou mesmo
um metrô no horário de pico, e verás o caos, eu estou dando o exemplo de São
Paulo, mas isso, talvez, seja características de grandes pelo mundo, os estado burguese
não preza o bem estar humano prezam pelo lucro da classe dominante, e no caso
do Brasil é muito pior pois temos uma elite desumana anti-povo, e uma classe
média que ojeriza pobre e anda de carro, não esperem que o estado seja ele
nacional, estadual ou municipal façam investimentos nisso, porque para investir o
estado precisa estar em sintonia com as classes menos favorecidas e para isso é preciso uma pressão popular, o nosso
estado existe para a burguesia, estamos vendo alguns investimento em
consequência da copa do Mundo de 2014, ela vai dar lucro ao Brasil, vai trazer
investimentos e as cidades que serão agraciadas receberão esse investimento, afinal
o estado não é para nós, e enquanto o problema do transporte coletivo não for o
problemas de todos o estado não vai se importar com isso.
Mediante esse fato urge a
necessidade da luta, não a luta armada, mas a luta no mínimo, por enquanto pelo
meio do sistema lutar por medidas de caráter social, o estado brasileiro ainda
atende um demanda elitista e burguesa, não atende uma demanda emancipatória,
mas uma demanda servilista, não tenho visto nenhum projeto onde a emancipação
humana se dê de maneira real, pelo contrário vejo continuidades de um modelo
que apesar de falido, aliás falido para os pobre, se perpetua, a política está
nas mãos de empresários que demandam mais ao lucro do que propriamente ao bem
estar de seus semelhantes, os trabalhadores devem repensar sua posição e ver
que eles estão sendo usados por partidos que jura ser dos trabalhadores, mas
tem praticas burguesas, urge a nós trabalhadores tomar a realidade como nossa e
lutar, mas infelizmente não vejo possibilidades dessa reação por enquanto no
Brasil, estamos ludibriados com o ouro de tolo do “Progressismo” Burguês,
acreditando que essas medidas reformistas serão benéficas, resta-me esperar e
torcer para que a classe trabalhadora volte a ver-se como servos que se matam
nas grandes cidades com seus trânsitos exorbitantes e com a falta de repeito ao
humano sempre cedentes.
RNC
¹-DUCROQUET.Marcelo
Soares Simon. Tordesilhas, A nova Fronteira. Folha de São Paulo: 22/04/2012.
²-O
progresso recente do Brasil se aproxima da encruzilhada. Le Monde Diplomatique
Brasil. Maio de 2012.